domingo, 15 de novembro de 2015

Pássaros


            Se algum dia  os pássaros  desaparecerem, é por que as flores e as árvores  já foram mortas...  e, aí, nada poderá ser mais triste!  Que sua beleza delicada consiga  sobreviver a rudeza deste mundo. Tenho pedido ao nosso criador por isso a cada novo amanhecer... o canto deles me lembra de pedir!
                  
                   As fotos abaixo foram tiradas no jardim da minha casa... Já não são tantos e nem tão variados como eram na minha infância, mas fico feliz pelos pássaros que ainda posso ver!
 

                   


 
 



 










 
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Velha figueira

               Estes versos foram inspirados pela força e beleza de cada uma das figueiras que tive o prazer de fotografar em  minhas andanças pelo interior. Rendo a elas todo o meu respeito e gratidão, rogando ao criador que as proteja da fúria insana do (mal)dito progresso.

Velha Figueira

Era uma figueira de alma velha
destas impregnadas de memórias
que lembrava tempos ancestrais
se ergueu  silenciosa e lentamente
aprofundando suas raízes chão a dentro
quantas vidas abrigou em seus robustos braços
açoitados por duros temporais
quantos a sua sombra repousaram
desapercebidos de sua grandeza
E ainda ontem, mesmo solitária e triste
lá no alto da coxilha resistia
mas o homem inconsciente
pobre de alma e de mente
ao som de golpes inclementes
apagou cem anos de repente

 











 
 

 
 

 

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Porteiras

                           As porteiras me fascinam... Fico pensando no que pode haver  escondido, bem lá no fundo, onde só a imaginação consegue chegar...   Como me instiga essa sensação de que algo nunca visto vai surgir, logo ali, na próxima curva do caminho...  Por isso esse meu gosto por andar, andar... seguir sempre adiante, até, quem sabe,  cruzar novamente com uma desconhecida porteira na estrada, e aí, então, ficar  ali, inerte, ainda que só por um instante, feito seus mourões, suas pedras empilhadas,  vigiando,  enquanto espicho a vista, para além da entrada. Ah, que inveja que eu tenho do vento quando passa por mim... e entra!



 
 



 








 


 

domingo, 22 de setembro de 2013

CASA VELHA

       Não consigo explicar o sentimento que me invade quando vejo uma destas casas antigas, coberta pela poeira da estrada, solitária, perdida, abandonada! Me dá um nó na garganta, um aperto no coração, uma vontade  incontrolável de chegar, de abrir a porta e entrar. Parece que  alguém do passado vai estar ali,  a minha espera! Tem coisas que a gente simplesmente sente, que não se explica... Acho que saudade é uma delas!... Ainda mais quando é de algo que a gente nem lembra de ter vivido!
        Bom, hoje, depois de mais uma das nossas andanças pelo interior, passeio obrigatório de domingo, desta vez pela localidade de Passo da Caveira, em Morungava, "recebi" estes versos que posto agora: 



CASA VELHA

Casa velha, pálida, alquebrada pelo judiação do tempo
Quanta história por de trás de tuas portas e janelas cerradas 
Quanto segredo trancafiado em teus sombrios compartimentos
Há quem jure ouvir vozes vindas lá de dentro
Sussurros que se confundem com o assobio do vento
Risos sufocados por lamentos
Deve ser  o passado assombrando as culpas da gente
Pois se hoje és escombro,  um dia, pra alguém, fostes um grande monumento

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terça-feira, 12 de março de 2013

Poesia para Polara

Nossa Polara  com quatro  meses de vida...
... e  ela nos dias atuais
            Dedico esta poesia a todas as pessoas que amam os animais, criaturas divinas, sem as quais o mundo em que habitamos não teria o mesmo encanto! Deus, em Sua Infinita Benevolência, permitiu que compartilhassemos com eles o nosso caminho evolutivo. Pena que o ser humano, muitas vezes, mesmo dotado de razão, se furta a responsabilidade de zelar, proteger e amar estes irmãos menores, tão pródigos em nos devotar, incondicionalmente, o seu genuíno amor!


POLARA

Fazia muito frio naqueles dias, lembro bem
Só  o fogão a lenha  nos servia  de companhia
Sentia falta de algo... Talvez, mais alegria
Mas o destino arranjou tudo, e naquele mesmo dia

Entrei na pecuária apressada
Só entenderia mais tarde o que levaria dali
Diante de uma gaiola, feito criança, maravilhada
Voltei aos dias de infância, parada, bem ali

Teus olhos caninos  encontraram os meus
Quanto apelo havia em teu olhar
Criação perfeita de Deus
Impossível ser indiferente, só  passar

Contive o  ímpeto de agir feito menina
E a casa, lembrei, por certo irias bagunçar
Eras tão frágil, pequenina
Naquele momento, nem pensar

Foi em vão, sem demora decidi voltar
Que alívio, paciente esperavas no mesmo lugar
Te aconcheguei junto ao peito, dois corações a pular
Na mesma noite, quanto enlevo, quanta alegria em nosso lar

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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

HAVIAM GARÇAS

          Olá meus amigos, familiares e afins...  Peço desculpas por ter estado ausente por tanto tempo. É que  sou assim mesmo, uma mulher de fases, como a lua. Bom, acho que somos todas!!! Mas estou de volta e louca para interagir, compartilhar, dar e receber carinho de todos!!!...
        Bom, vou lhes falar do presente inusitado que recebi do meu marido faz alguns dias... Acho que foi no sábado passado que ele entrou em casa carregando uma caixinha de papelão com o maior cuidado e dizendo: _ Eu tô apavorado!!!!  Adivinha o que eu tenho aqui? Mal pude acreditar quando vi que eram quatro filhotes de Canarinhos da Terra.  A história tinha tudo pra terminar em tragédia, mas a mão de Deus (e do Cuti) mudou o destino desses pobres orfãozinhos. Eles viajaram de Rolante a Taquara dentro do cano  de um reboque que foi emprestado por um amigo, sem serem percebidos.  Foram salvos graças a algazarra que fizeram por estarem  famintos. Resultado, tô desde sábado alimentando os bichinhos de hora em hora. Pobre mãe biológica, deve estar procurando pelos filhos até agora!! É surpreendente ver o quanto seres tão frágeis e indefesos podem ser ao mesmo tempo tão fortes. Eles passaram quase dois dias sem comer e estão vivos. Se fossem bebês humanos,  talvez não tivessem sobrevivido. A natureza é sábia, e os animais mais vitais do que o homem  para o nosso planeta.  Só sei que em breve meus protegidos ficarão  independentes e serão soltos para voar livres pelos matos da nossa cidade!!! E que Deus os proteja dos bodoques e das gaiolas!!! Amanhã postarei aqui algumas fotos dos quatro figurões, prometo.
            A propósito, revirando meus escritos encontrei este pequeno poema, bem oportuno, inclusive, por isso resolvi compartilhar com vocês...

              Haviam garças

              Eram garças brancas, pernas longas, lembro bem...
              Deviam estar ali, perto da sanga
              Mas onde está a sanga?
              Será que esqueci o lugar?
              Talvez não puderam voltar...
              Voltar, mas voltar pra onde, porque?
              Se secaram a sanga que havia ali!
              Será que verei de novo aquele mágico revoar?
              Aquele alarido ao entardecer?
              Que triste cenário vim encontrar, meu Deus!
              Aterraram a sanga, partiram as garças!
              Que pena, a cidade cresceu!
              Como lamento, a natureza perdeu!
              Perdemos todos, as garças, tu e eu!